Nossas decisões são tomadas por influência da razão ou da emoção?


Naturalmente, em nossa vida cotidiana, damos mais atenção ao que nos traz à tona fortes emoções, ou àquelas pessoas que demonstram mais paixão quando apresentam uma ideia. Isso não é errado e tem seu valor; porém devemos também observar um outro lado, principalmente, quando o assunto é tomada de decisões, seja na carreira, no casamento ou na vida em geral. Esse é um assunto complexo e há vários aspectos que poderiam ser abordados aqui; porém, vou comentar apenas três deles para os quais devemos estar bastante atentos, de forma que nossas decisões tenham melhores repercussões para nós e para os que nos cercam.

Informações verdadeiras

Somos muito hábeis em reagir rapidamente, sem gastar o tempo necessário para analisar as informações. Não é que a intuição não tenha seu valor, mas quando estamos imersos em intensas emoções, não investimos em estudar os fatos, nem percebemos se o julgamento está distorcido pela emoção. Assim, prontamente podemos chegar a um veredicto, quando precisamos ser mais cuidadosos.

Muitas vezes percebo, durante uma sessão de casal, que um está desnecessariamente magoado com o outro, e que se eles tivessem gasto um tempo analisando os fatos, os sentimentos feridos ou a rejeição não teriam acontecido e decisões equivocadas não teriam sido tomadas. Então, da próxima vez, busque e analise os fatos verdadeiros. Converse apenas sobre isso e não sobre suposições ou crenças. Não deixe que paradigmas que você formou sobre o outro forcem você a enxergá-lo apenas por esta lente, que o impede de ver fatos relevantes para sua decisão.

Abertura para mudar de ideia

Muitas vezes temos uma ideia preconcebida de que uma opção é melhor que outra, mas, ao longo do processo decisório, percebemos que não é bem assim, ou que alguém que compartilha de nossos valores tem uma ideia melhor. Porém, somos orgulhosos e não queremos dizer que estávamos enganados, enquanto o melhor a fazer seria reexaminar a real motivação de nosso coração para ter feito aquela escolha inicial e, quem sabe, mudar de ideia.

Em um casamento, quando um cônjuge impõe ao outro a sua decisão sem ter tido o cuidado de analisar o cenário adequadamente, mesmo que esse aceite, há sempre um preço a ser pago, que pode vir de várias formas – ressentimento, depressão, competição, dentre outros. Então, invista em recorrer a seus valores e em ouvir o conselho de pessoas sensatas quando tiver que tomar decisões, sem se preocupar se terá que mudar de ideia. O mais importante é acertar na escolha!

Pensar que há algo além de si mesmo

Parece básico, mas não é. É incrível como estamos acostumados a pensar apenas em nós mesmos, no que queremos, no que gostamos, no que é melhor para nós, no que vai nos beneficiar mais, ou nos dar maior prazer!!!! A lista é grande… Embora estejamos vivendo em um mundo cada vez mais individualista, a realidade é que somos conectados e precisamos uns dos outros. Nossas decisões também afetam aos demais – familiares, cônjuges, filhos, colegas de trabalho, amigos, vizinhos, sociedade, etc.

Deixo para reflexão: como buscar um equilíbrio entre o que nos faz feliz como indivíduos e aos que estão ao nosso redor? Podemos ser realmente felizes sem nos importar com os demais? Por quê é importante pensar que há algo além de nós mesmos?

Quando falamos de família como um sistema interdependente, refletir sobre essas questões é crucial, assim como é fundamental buscar integração e equilíbrio entre emoção e razão, já que o ser humano não pode isolar um aspecto do outro e viver saudavelmente.

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